segunda-feira, 1 de março de 2010

FRASE DA SEMANA

"Feliz daquele que ensina o que aprende, e que aprende o que ensina." (Cora Coralina)

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

VISITA AO LAGOS JORNAL


A equipe do GELP inciou o semestre letivo com uma ida à Central de Jornalismo da Rede Lagos de Comunicação. Como colunistas do Lagos Jornal, as professoras Mônica e Lívia, mediante a visita orientada da editora-chefe Keetherine Giovanessa, conheceram os bastidores da publicação do jornal, desde a coleta das informações até a sua edição. Um jornalista, mais do que ninguém, conhece o poder da palavra e sabe da importância de se usar a língua o mais satisfatoriamente possível.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

REALIZE EM 2010!

Enquanto todos estavam envolvidos nos preparativos das festas de final de ano e da folia do carnaval, a equipe do GELP estava planejando o ano de 2010. Ficamos pensando em você que quer realizar o sonho de:

a) passar nos concursos públicos previstos para este ano;

b) concluir seu curso superior com uma monografia elogiada pela banca devido a um texto bem escrito;

c) ser aprovado numa disciplina específica sem fazer a prova final, por ter conseguido compreender muito bem o que leu e escrever com clareza e correção sobre o conteúdo;

d) ter domínio das várias estruturas que a língua portuguesa oferece para uma comunicação eficiente e, com isso, obter sucesso profissional.

A proposta do GELP é simples: tornar fácil o que, até o momento, você considera difícil. O estudo da gramática, a prática da redação e da leitura e a produção de textos acadêmicos podem ser feitos de modo individualizado ou em pequenos grupos. Você é o elemento ativo de sua aprendizagem, ou seja, escolhe o quê e como aprender!
Nós lhe ajudaremos a atingir suas metas. Entre em contato: gelp@oi.com.br.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

2009: um ano de realizações

O GELP teve uma intensa atividade neste ano. Foi muito bom contribuir para a formação acadêmica e profissional daqueles que nos procuraram para ampliar seu conhecimento acerca da língua portuguesa. Tivemos estudos de gramática, leitura, redação, orientação de projetos de pesquisa e de monografia. Diante disso, só podemos comemorar e desejar a todos que fizeram parte integrante do nosso grupo: BOAS FESTAS! QUE 2010 SEJA BASTANTE PRODUTIVO!

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

GERUNDISMO:CASOS E ACASOS

Quando contamos um fato, fazemos o uso do verbo para expressar as ações, que podem representar o tempo presente (“Eu leio o jornal.”), o passado (“Eu li o jornal.”) ou o futuro (“Eu lerei o jornal.”). Há vezes, porém, em que queremos nos referir a algo que acontece no momento da fala, ou seja, quando a ação está em processo. Para isso, empregamos a forma do gerúndio (“Estou lendo o jornal.”).

Atualmente, o emprego do gerúndio tem sido considerado tão problemático, que boa parte dos estudiosos da língua portuguesa sugere que não seja usado, a fim de não se construírem frases incoerentes. Isso se deve ao fato de os falantes utilizarem-no repetida e inadequadamente em suas frases. É comum, numa sentença, encontrarmos uma sequência de ações expressas pelo gerúndio, tornando-a, por vezes, pouco clara: “O presidente da empresa declarou que não haverá demissões na empresa, mostrando a planilha de custos, fazendo uma previsão de orçamento para os próximos meses, prometendo pagar os salários em dia, mudando o quadro de desânimo, levando, assim, tranquilidade aos funcionários.” Ufa! Quanta coisa foi feita ao mesmo tempo! Será que todas essas ações poderiam ser realizadas realmente de forma simultânea? Vejamos: é possível, durante uma declaração (uma fala), mostrar uma planilha, fazer uma previsão e prometer algo. Entretanto a mudança no quadro de ânimo se dá após tudo isso, e não ao mesmo tempo; é preciso, primeiro, ouvir a declaração para, depois do que se ouviu, mudar o estado. O mesmo acontece com a última ação: levar tranquilidade. Ela é estágio final e se processa posteriormente a todas as ações antecedentes. Sendo assim, o uso de “mudando” e “levando” foi feito de modo incorreto.

Outro caso polêmico em relação ao uso do gerúndio é quando vem antecedido da construção “vai estar”, como, por exemplo: “Na próxima semana, vou estar pagando a dívida do banco.”; “Você vai estar recebendo o livro amanhã.”; “Pode deixar que, na semana que vem, vou estar dando uma resposta a você.” O emprego dessa construção, conhecida como “gerundismo”, não é adequado, uma vez que a estrutura indica ação duradoura ou contínua. No primeiro caso, a pessoa passaria a semana inteira pagando a mesma dívida (Bom para quem recebe!); no segundo, o livro seria entregue várias vezes à mesma pessoa (Quantos livros chegariam num dia?); no terceiro, a resposta seria dada durante toda a semana (Nossa! Que resposta longa!).

Tal estrutura, porém, é legítima na língua portuguesa, quando usada com a idéia de futuro, se representar algo que será feito ao mesmo tempo em que outro. Exemplo: “À noite, quando você estiver dormindo, vou estar trabalhando para adiantar o serviço.” Aqui, pode-se perceber que as ações serão realizadas simultaneamente: no mesmo período de tempo, um dorme e o outro trabalha.

Quanto ao aspecto gramatical é isso. O que deve nos preocupar, todavia, é o valor cultural que o gerundismo assumiu na língua: a falta de compromisso em relação a uma promessa. Na realidade, quando se diz “Vamos estar entregando sua encomenda da próxima semana.”, tem-se a promessa da entrega, mas não há um comprometimento quanto à data específica de fazê-la. Esse gerundismo, de forma nenhuma, deve ser aceito, tanto do ponto de vista da estrutura gramatical (a ação não é contínua) quanto do significado que confere à informação (não há garantias de que a encomenda chegará no período mencionado).

(Coluna “No quintal das palavras”. Artigo publicado no Lagos Jornal, Ano V, nº 465, Região dos Lagos, quinta-feira, 02-7-2009, p.4)

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

CRASE: FUSÃO, E NÃO CONFUSÃO.

A crase, entre os vários estudos da língua portuguesa, é um tema que oferece algumas dificuldades de entendimento. De modo geral, o falante a emprega na escrita, mas sem critérios bem definidos. Esse uso aleatório e intuitivo pode, inclusive, trazer problemas de clareza ao texto.

Antes de tudo, é preciso compreender o que realmente é crase. Ela é um fenômeno antigo na língua portuguesa, responsável pela forma atual de boa parte do nosso vocabulário, pois se refere à fusão de duas vogais iguais em uma só. Quando, hoje, escrevemos a palavra “pé”, temos aí o resultado de uma crase. Como se deu isso? No latim, esse vocábulo era escrito “pede”. Com o tempo, o “d” passou a ser pronunciado de uma forma tão débil, que foi suprimido, restando a forma “pee”. A presença de duas vogais iguais na palavra levou os falantes – como sempre, atendendo à lei do menor esforço – a fundi-las, o que fez surgir a forma atual. Portanto, na fase intermediária da sequência evolutiva desse vocábulo (“pede” > “pee” > “pé”), houve uma crase, isto é, a fusão da vogal “e”. Como o resultado dessa crase foi um monossílabo tônico (palavra com apenas uma sílaba dotada de acentuação), tornou-se necessário o uso do acento agudo, a fim de atender à regra de acentuação referente a esse caso (Todo monossílabo tônico terminado em “e” deve ser acentuado graficamente.).O mesmo fenômeno ocorreu com “nu” (“nudu” > “nuu” > “nu”) e com “cor” (“colore” > “color” > “coor” > “cor”), em que as vogais “u” e “o”, respectivamente, foram fundidas para gerar as formas contemporâneas do português.

Ao contrário do que se pensa, a crase não aparece somente na escrita. A nossa fala é bastante permeada por esse fenômeno. Em inúmeras situações, fundimos vogais iguais que se encontram na estrutura da frase. Ao falarmos, de modo espontâneo, a sentença “A casa azul está alugada.”, fazemos a fusão do “a” final de “casa” e “está” com o inicial de “azul” e “alugada”, respectivamente. Podemos representar essa pronúncia da seguinte maneira: “A casazul estalugada.”. Esse é um exemplo de como a crase aparece frequentemente na comunicação oral.

Na escrita, porém, a crase deve ser identificada para o leitor com o acento grave (aquele tracinho inclinado para a esquerda). Nesse caso, seu uso se restringe ao encontro da preposição “a” (exigida pela palavra anterior) com o artigo definido “a” (exigido pela palavra feminina posterior) ou o “a” inicial dos pronomes demonstrativos “aquele”, “aqueles”, “aquela” e “aquelas”. Sendo assim, na frase “Ele se dirigiu à cidade mais próxima.”, houve a crase da preposição “a” exigida pelo verbo “dirigir-se” (Alguém se dirige a algum lugar.) com o artigo exigido pela palavra “cidade” (Dizemos: “A cidade mais próxima fica a 10km.”, e não “Cidade mais próxima fica a 10km.”). Para deixarmos claro ao leitor de que houve esse fenômeno linguístico, sinalizamos com o acento grave no “a” craseado (fundido).

Se tomarmos como base o fato de somente ocorrer a crase nesses casos e com essas características, fica mais fácil de entender que jamais devemos colocar o acento grave diante de vocábulos que não admitem artigo feminino, como, obviamente, palavras masculinas (“Foi morto a tiro.”) ou artigo indefinido (“Referiu-se a uma pessoa da platéia...”), além de verbo (“Tudo a partir de 1,99”), determinados pronomes (“Disse tudo a ela.”; “Solicito a Vossa Senhoria...”; “Compareci a essa festa.”; “Pediu a cada um de nós...”), entre outros. Quando a palavra anterior não exige preposição “a”, teremos apenas o artigo referente ao nome posterior. Em “Comprei a loja.”, o verbo “comprar” não precisa de preposição (Alguém compra algo.), logo o “a” se trata do artigo exigido pelo nome feminino “loja” (Dizemos: “A loja foi comprada.”, e não “Loja foi comprada.”).

Portanto não é preciso ocuparmos nossa memória (já lotada de dados) com um mundo de regras. Na verdade, é possível pensar (e não decorar) sobre o uso da crase dentro da estrutura da frase escrita. Ela consiste num fenômeno linguístico coerente e à nossa disposição para que possamos nos comunicar de modo eficiente.

(Coluna “No quintal das palavras”. Artigo publicado no Lagos Jornal, Ano V, nº 460, Região dos Lagos, quinta-feira, 25-6-2009, p.4)

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

HÍFEN: TER OU NÃO TER? EIS A QUESTÃO.

O novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa trouxe várias alterações no uso do hífen em palavras compostas. Tendo em vista contradições e omissões da reforma, algumas dessas regras, tiveram a necessidade de serem discutidas e esclarecidas pela Academia Brasileira de Letras. Com isso, a interpretação feita, unilateralmente, pelos linguistas brasileiros determinou o que representava no texto da lei as expressões “certos compostos”, “em certa medida”, “noção de composição” e os vários “etc.” (até mesmo nas exceções), o que, ainda, suscita algumas polêmicas.

De maneira geral, o espírito sugerido pelo Acordo de se levar à queda do hífen foi respeitado pela ABL, e as exceções ficaram restritas às palavras citadas antes do termo “etc”. Após essas decisões, já nos é possível identificar o que especificamente mudou nas regras do uso do hífen. Essa normatização já está sistematizada no mais recente Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (mais conhecido entre os especialistas como VOLP).

Agora, não há hífen nos casos em que o primeiro elemento termina por vogal diferente da que inicia o segundo: antiaéreo, autoajuda, autoescola, autoestrada, autoexame, contraindicação, extraoficial, infraestrutura, intrauterino, neoimperialista, semiaberto, semiautomático, semiárido. Se as vogais forem iguais, mantém-se o hífen: auto-observação, contra-almirante, arqui-inimigo, micro-ondas, micro-ônibus, semi-interno. Para esse caso, a exceção se restringe ao elemento “co”, que mantém a junção: coobrigação, coocupante, coordenação, cooperação.

Quando o primeiro elemento termina por vogal e o segundo, por “r” ou “s”, não se emprega mais o hífen, mas há a necessidade de se duplicar tais consoantes: antessala, antirreligioso, autorretrato, antirrugas, antissocial, arquirrivalidade, autorregulamentação, contrarregra, contrassenha, cosseno, extrarregimento, extrasseco, extrassístole, infrassom, intrarrenal, minissaia, missérie, suprarrenal, suprassensível, ultrarromântico, ultrassonografia, ultrassecreto.

Um dos pontos mais polêmicos quanto à queda do hífen foi a observação relacionada a “certos compostos, em relação aos quais se perdeu, em certa medida, a noção de composição”, tais como girassol, madressilva, mandachuva, paraquedas, paraquedista, pontapé. As questões são: 1) se não há pesquisas científicas sobre essa perda de “noção de composição”, quais os critérios para a relação dessas palavras? 2) o que se quer dizer, precisamente, com a expressão “em certa medida”? 3) se o texto da lei termina a lista com “etc.”, como saber quais são essas outras palavras?

Um aspecto novo no Acordo diz respeito aos nomes de lugares, para os quais, antes, não havia nenhuma regra. Aqueles iniciados por “grã” ou “grão” ou por verbo recebem hífen (Grã-Bretanha, Grão-Pará, Passa-Quatro), assim como os ligados por artigo (Baía de Todos-os-Santos). Já Guiné-Bissau e Timor-Leste figuram como exceções à regra.

Outro caso novo é o das palavras relacionadas a espécies vegetais e animais, que devem ser grafadas com hífen. Assim, temos água-de-coco, azeite-de-dendê, couve-flor, bem-te-vi, bico-de-papagaio para a planta. Para o problema de coluna ou de nariz adunco, a forma é bico de papagaio, uma vez que está fora desse contexto.

A última novidade da reforma está nas palavras que se ligam, formando encadeamento vocabular, como, por exemplo, ponte Rio-Niterói, ponte aérea Rio-São Paulo, que, agora, devem ser unidas pelo hífen. Antes, a escrita era feita com o uso do travessão (“–“). Ou seja: é só diminuir o tamanho do traço.

A ABL fez várias sugestões para preencher as lacunas deixadas pelo novo Acordo Ortográfico. Para nós, brasileiros, no entanto, tais orientações assumem o valor de lei, o que não é certo de ser acatado por Portugal. Devemos ter atenção, inclusive, às publicações didáticas ditas “atualizadas conforme o acordo”, feitas no ano passado com o propósito de garantir a cota de venda ao governo brasileiro, uma vez que não trazem as últimas decisões da ABL.

Na realidade, é preciso muita calma nessa hora: temos até 2012 para internalizar tudo isso!

(Coluna “No quintal das palavras”. Artigo publicado no Lagos Jornal, Ano V, nº 455, Região dos Lagos, quinta-feira, 18-6-2009, p.4)