No nosso cotidiano, surgem muitas dúvidas a respeito da grafia ou pronúncia de determinadas palavras. Como a língua falada é um meio de comunicação direto e mais rápido, nem sempre há a possibilidade de se verificar a correção quanto ao uso de um termo ou expressão dentro da frase. Alguns equívocos consagram-se na fala de tal modo, que passam a ser empregados por boa parte das pessoas, assumindo o lugar da forma correta, que, por sua vez, torna-se estranha aos ouvidos. A incorporação, muitas vezes, atinge o discurso de pessoas dotadas de certo prestígio social, como figuras públicas ou profissionais que trabalham, de alguma forma, com a língua portuguesa (apresentadores de rádio e televisão, atores, jornalistas, políticos, entre outros).
A fala, porém, é tão importante no estudo da língua portuguesa que existe um ramo da gramática que se preocupa exclusivamente com a correta pronúncia das palavras: a ortoepia ou ortoépia. Por meio dela, podemos conhecer a forma correta de palavras e expressões que causam dúvidas na hora de se falar. Daí a necessidade de, de vez em quando, a visitarmos a fim de não trocarmos o certo pelo duvidoso.
Alguns usos impróprios já adquiriram tradição e vêm passando de geração em geração. A palavra “gratuito” é uma delas. Ao contrário do muita gente pensa, e fala, o encontro “ui” é um ditongo, logo deve ser pronunciado numa única enunciação: gra-tui-to. Por isso fique atento e duvide se lhe oferecerem algo “gra-tu-í-to”. Com certeza, aí tem alguma coisa errada. O mesmo acontece com “fluido” (flui-do), “fortuito” (for-tui-to) e “intuito” (in-tui-to).
O uso de “rubrica” (isso mesmo: ru-“brí”-ca) é recordista em estranhamento. Geralmente, acredita-se que constitui um vocábulo proparoxítono (cuja sílaba tônica é a antepenúltima), e muitos a pronunciam com tal. Acontece, porém, que sua sílaba tônica é o “bri”, uma vez que é uma paroxítona (cuja sílaba tônica é a penúltima). Assim como comemos “canjica”(principalmente agora com as festas juninas e julinas), devemos escrever a nossa “rubrica”.
Já que nos referimos a uma palavra recordista, lembramos outra paroxítona: “recorde”. Essa é muito usada no meio esportivo também como proparoxítona (acentuando-se a sílaba “re” e com a abertura da vogal “e”: “récôrdi”), mas a sílaba que deve receber a acentuação na fala é “cor”, e o “re” deve ter a vogal fechada: “rêCóRdi”.
Outro emprego já consagrado é o de “ruim”. O carioca, principalmente, instituiu “rúim” (tornando “ru” a sílaba tônica) como a forma certa. Depois que criaram a gíria “É ruim, hein.”, fica até difícil se falar “ru-ím”, pronunciando-a como oxítona, a forma correta da palavra.
Esses poucos exemplos mostram como podemos difundir erros de pronúncia no nosso cotidiano. Uma vez que a fala funciona como um instrumento a serviço da comunicação de seus usuários, é importante estarmos atentos a ela e nos informarmos a respeito da correção de uma determinada pronúncia de uma palavra, principalmente quando se encontram duas formas circulando na língua.
(Coluna “No quintal das palavras”. Artigo publicado no Lagos Jornal, Ano V, nº 475, Cabo Frio, quinta-feira, 16-7-2009, p.4)
Grupo de Estudos de Língua Portuguesa com o objetivo de reunir pessoas interessadas em ampliar o domínio oral e escrito do Português.
domingo, 14 de março de 2010
segunda-feira, 8 de março de 2010
PENSAMENTO DA SEMANA
"A receita para a perpétua ignorância é permanecer satisfeito com suas opiniões e contente com seus conhecimentos.
Se você achar que sabe tudo, não haverá possibilidade de aprender algo novo.
Se você agir como um estudioso da vida, estará na posição de aprender algo novo todos os dias.
Eu o incentivo a ver seu mundo com os olhos de uma criança para apreciar novamente a magia do aprendizado." (Elbert Hubbard)
Se você achar que sabe tudo, não haverá possibilidade de aprender algo novo.
Se você agir como um estudioso da vida, estará na posição de aprender algo novo todos os dias.
Eu o incentivo a ver seu mundo com os olhos de uma criança para apreciar novamente a magia do aprendizado." (Elbert Hubbard)
quinta-feira, 4 de março de 2010
A IMPORTÂNCIA DA FALA
O mundo moderno vive da comunicação, haja vista a globalização como o fenômeno que sustenta todas as relações (sociais, políticas, econômicas e culturais) na sociedade contemporânea. Apesar disso, vivemos um momento paradoxal: enquanto os meios de comunicação se desenvolvem rapidamente, ampliando-se as formas de se trocar informações, a língua tem sofrido muitas transformações e interferências, a fim de torná-la mais objetiva, concisa e suficientemente restrita ao essencial.
Toda língua tem duas faces: a escrita e a fala. São duas modalidades bem específicas, que se complementam, mas uma não pode substituir a outra em todas as situações. Existem ocasiões em que nós preferimos uma a outra, ou somos obrigados a escolher a mais adequada socialmente para estabelecer a comunicação.
Geralmente se pensa que somente a língua escrita deve receber uma atenção especial quanto ao respeito às normas gramaticais. A fala estaria dispensada disso, por ter uma natureza mais espontânea e, por isso, mais informal. Acontece que as variedades linguísticas fazem parte das duas modalidades. É o contexto que determinará se o uso da língua se fará de modo culto ou popular, independentemente de ser por meio da escrita ou da fala.
A civilização atribui à língua escrita uma maior importância, uma vez que é ela a responsável pelo registro da história da humanidade. A fala, no entanto, não pode ser considerada um modo inferior de se comunicar, em contraposição à escrita. Ambas constituem a representação do pensamento, a forma como o indivíduo expõe suas ideias e sentimentos. Por isso é necessário que os cuidados com a escrita sejam destinados também à fala.
Como a língua falada, mais usada no nosso cotidiano, dispõe de recursos específicos, como, por exemplo, a entonação, os gestos, a expressão facial, entre outros, algumas questões de natureza gramatical são deixadas de lado, a fim de que a comunicação seja estabelecida de maneira mais rápida e imediata. A consequência disso é que determinadas estruturas da língua são alteradas, e o falante, de tanto ouvir essa construção, perde a noção de que certas regras fundamentais foram desrespeitadas. Inclusive, é comum se estranhar o uso correto, achando-o “feio”, que “soa mal aos ouvidos”.
É preciso, portanto, que a fala seja foco de nossa atenção, uma vez que não a utilizamos apenas para transmitir ideias. Ela também revela quem somos, denunciando, pelo emprego de determinadas palavras e expressões, nosso nível social, escolar e, por vezes, nossos valores. Com ela, demonstramos nossa capacidade comunicativa, o que pode facilitar ou dificultar, dependendo do nosso desempenho, o relacionamento pessoal e profissional na sociedade.
Tendo em vista essa reflexão, nos próximos artigos, abordaremos o uso indevido de determinadas estruturas linguísticas, as quais, na língua falada, passam despercebidas. Essas construções, inclusive, são alvo certo de questões de língua portuguesa em concursos, visto que, quase sempre, os candidatos já as internalizaram, principalmente pelo emprego constante na fala.
(Coluna “No quintal das palavras”. Artigo publicado no Lagos Jornal, Ano V, nº 470, Cabo Frio, quinta-feira, 9-7-2009,p.4)
Toda língua tem duas faces: a escrita e a fala. São duas modalidades bem específicas, que se complementam, mas uma não pode substituir a outra em todas as situações. Existem ocasiões em que nós preferimos uma a outra, ou somos obrigados a escolher a mais adequada socialmente para estabelecer a comunicação.
Geralmente se pensa que somente a língua escrita deve receber uma atenção especial quanto ao respeito às normas gramaticais. A fala estaria dispensada disso, por ter uma natureza mais espontânea e, por isso, mais informal. Acontece que as variedades linguísticas fazem parte das duas modalidades. É o contexto que determinará se o uso da língua se fará de modo culto ou popular, independentemente de ser por meio da escrita ou da fala.
A civilização atribui à língua escrita uma maior importância, uma vez que é ela a responsável pelo registro da história da humanidade. A fala, no entanto, não pode ser considerada um modo inferior de se comunicar, em contraposição à escrita. Ambas constituem a representação do pensamento, a forma como o indivíduo expõe suas ideias e sentimentos. Por isso é necessário que os cuidados com a escrita sejam destinados também à fala.
Como a língua falada, mais usada no nosso cotidiano, dispõe de recursos específicos, como, por exemplo, a entonação, os gestos, a expressão facial, entre outros, algumas questões de natureza gramatical são deixadas de lado, a fim de que a comunicação seja estabelecida de maneira mais rápida e imediata. A consequência disso é que determinadas estruturas da língua são alteradas, e o falante, de tanto ouvir essa construção, perde a noção de que certas regras fundamentais foram desrespeitadas. Inclusive, é comum se estranhar o uso correto, achando-o “feio”, que “soa mal aos ouvidos”.
É preciso, portanto, que a fala seja foco de nossa atenção, uma vez que não a utilizamos apenas para transmitir ideias. Ela também revela quem somos, denunciando, pelo emprego de determinadas palavras e expressões, nosso nível social, escolar e, por vezes, nossos valores. Com ela, demonstramos nossa capacidade comunicativa, o que pode facilitar ou dificultar, dependendo do nosso desempenho, o relacionamento pessoal e profissional na sociedade.
Tendo em vista essa reflexão, nos próximos artigos, abordaremos o uso indevido de determinadas estruturas linguísticas, as quais, na língua falada, passam despercebidas. Essas construções, inclusive, são alvo certo de questões de língua portuguesa em concursos, visto que, quase sempre, os candidatos já as internalizaram, principalmente pelo emprego constante na fala.
(Coluna “No quintal das palavras”. Artigo publicado no Lagos Jornal, Ano V, nº 470, Cabo Frio, quinta-feira, 9-7-2009,p.4)
segunda-feira, 1 de março de 2010
FRASE DA SEMANA
"Feliz daquele que ensina o que aprende, e que aprende o que ensina." (Cora Coralina)
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
VISITA AO LAGOS JORNAL

A equipe do GELP inciou o semestre letivo com uma ida à Central de Jornalismo da Rede Lagos de Comunicação. Como colunistas do Lagos Jornal, as professoras Mônica e Lívia, mediante a visita orientada da editora-chefe Keetherine Giovanessa, conheceram os bastidores da publicação do jornal, desde a coleta das informações até a sua edição. Um jornalista, mais do que ninguém, conhece o poder da palavra e sabe da importância de se usar a língua o mais satisfatoriamente possível.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
REALIZE EM 2010!
Enquanto todos estavam envolvidos nos preparativos das festas de final de ano e da folia do carnaval, a equipe do GELP estava planejando o ano de 2010. Ficamos pensando em você que quer realizar o sonho de:
a) passar nos concursos públicos previstos para este ano;
b) concluir seu curso superior com uma monografia elogiada pela banca devido a um texto bem escrito;
c) ser aprovado numa disciplina específica sem fazer a prova final, por ter conseguido compreender muito bem o que leu e escrever com clareza e correção sobre o conteúdo;
d) ter domínio das várias estruturas que a língua portuguesa oferece para uma comunicação eficiente e, com isso, obter sucesso profissional.
A proposta do GELP é simples: tornar fácil o que, até o momento, você considera difícil. O estudo da gramática, a prática da redação e da leitura e a produção de textos acadêmicos podem ser feitos de modo individualizado ou em pequenos grupos. Você é o elemento ativo de sua aprendizagem, ou seja, escolhe o quê e como aprender!
Nós lhe ajudaremos a atingir suas metas. Entre em contato: gelp@oi.com.br.
a) passar nos concursos públicos previstos para este ano;
b) concluir seu curso superior com uma monografia elogiada pela banca devido a um texto bem escrito;
c) ser aprovado numa disciplina específica sem fazer a prova final, por ter conseguido compreender muito bem o que leu e escrever com clareza e correção sobre o conteúdo;
d) ter domínio das várias estruturas que a língua portuguesa oferece para uma comunicação eficiente e, com isso, obter sucesso profissional.
A proposta do GELP é simples: tornar fácil o que, até o momento, você considera difícil. O estudo da gramática, a prática da redação e da leitura e a produção de textos acadêmicos podem ser feitos de modo individualizado ou em pequenos grupos. Você é o elemento ativo de sua aprendizagem, ou seja, escolhe o quê e como aprender!
Nós lhe ajudaremos a atingir suas metas. Entre em contato: gelp@oi.com.br.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
2009: um ano de realizações
O GELP teve uma intensa atividade neste ano. Foi muito bom contribuir para a formação acadêmica e profissional daqueles que nos procuraram para ampliar seu conhecimento acerca da língua portuguesa. Tivemos estudos de gramática, leitura, redação, orientação de projetos de pesquisa e de monografia. Diante disso, só podemos comemorar e desejar a todos que fizeram parte integrante do nosso grupo: BOAS FESTAS! QUE 2010 SEJA BASTANTE PRODUTIVO!
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