Estou escrevendo este artigo num dia muito especial para mim: 15 de outubro, o Dia do Professor. Sempre que acordo neste dia e recebo os parabéns dos meus familiares, penso comigo mesma: valeu a pena toda a trajetória para chegar até aqui. Eu sou reconhecida profissionalmente!
Vocês podem até pensar: ser reconhecida pela família não é mérito nenhum; afinal, são os entes queridos... Eu digo que é justamente o contrário: é na família que tudo começa. Sempre ouvi minha mãe falar, com entusiasmo, sobre seus professores de infância e a importância que eles tiveram para sua formação, como exemplos de profissionais competentes e pessoas dignas. A mesma fala veio de meus avós e tios.
Durante toda a minha jornada escolar, estive diante de professores que desempenhavam seu papel como profissionais do ensino de forma séria, respeitável e carismática. Meus professores – tenho-os todos carinhosamente em minha memória (até os mais carrancudos) – formaram, para mim, uma segunda grande família. De vez em quando, ouvia, aqui e ali, uma história desses professores, que falavam a respeito de seus professores e de como eles foram influenciados por mestres tão queridos, a ponto de sempre tê-los na lembrança como pessoas fundamentais na sua formação pessoal e profissional. Falavam com tanto respeito, que ficava claro para mim o laço afetivo que havia se criado entre eles (como numa família).
Por isso, quando, hoje, recebo os cumprimentos sinceros e/ou os presentes (isso mesmo: eu ganho presentes neste dia!) de meu marido (orgulhoso de ser esposo de uma professora), de minhas filhas (orgulhosas de serem filhas de uma professora), de meus pais (orgulhosos de serem pais de uma professora), de meus irmãos (orgulhosos de serem irmãos de uma professora), de minha sogra (orgulhosa – podem acreditar! – de ter uma nora professora), o mais óbvio e único sentimento que posso ter é o orgulho. Não o orgulho soberbo, mas aquele vindo do fato de ter conquistado um lugar ao sol com a minha profissão, que muito me ensinou e tem ensinado a crescer também como pessoa, como cidadã.
Foi na família que aprendi a respeitar o professor e é na família que encontro o respeito por ser professora. A sociedade é formada pelas muitas famílias que falam sobre aquilo de que gostam, que anseiam e que respeitam. Portanto precisamos falar a mesma língua e continuar perpetuando, todos os dias, o orgulho de ser professor ou de se ter um no nosso convívio. Todo o restante é consequência disso.
A todos os mestres (formais e informais), o meu grande orgulho!
(Artigo publicado na coluna No quintal das palavras - Lagos Jornal)
Grupo de Estudos de Língua Portuguesa com o objetivo de reunir pessoas interessadas em ampliar o domínio oral e escrito do Português.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
É PRECISO SE ADEQUAR...
Como foi visto no artigo anterior, os verbos podem ter defeitos na sua conjugação. Daí serem chamados de defectivos. Essa característica faz com que algumas formas não existam, ainda que, por vezes, as encontremos na fala de um e de outro.
O verbo adequar está incluído nessa lista. Você já parou para analisar como ele se conjuga no presente do indicativo? Já ouviu algo semelhante a “Eu me ‘adéquo’ ao cargo.”, “Ele se ‘adéqua’ ao cargo.” ou “Eles se ‘adéquam’ ao cargo.”? Por incrível que pareça para muitos, esse verbo não pode ser conjugado nessas pessoas gramaticais.
Como um típico verbo defectivo, em determinados tempos, não teremos sua conjugação completa. Como isso acontece na prática? Ora, no presente do indicativo, só existem as formas verbais da 1ª pessoa do plural (= nós) e da 2ª do plural (= vós), respectivamente: adequamos e adequais.
Aí você pode perguntar: “Como vou saber se uma forma do verbo adequar existe ou não?” Ora, é muito simples. Ela só existirá quando a tonicidade (sílaba tônica) recair depois do radical, ou melhor, após a estrutura adequ-. Se observarmos com mais atenção, em adequamos, a sílaba tônica se encontra exatamente na vogal “a” que aparece logo depois de adequ-. Isso garante a existência dessa forma do verbo e de todas as outras que apresentarem essa característica, como, por exemplo, adequei, adequou, adequava, adequarei e adequará.
Nas formas “adéquo”, “adéqua” e “adéquam”, a tonicidade recai na sílaba “de”, ou seja, ainda no radical do verbo. Esse é o motivo de elas não existirem na conjugação do presente do indicativo. Consequência: não podemos usar algo que não existe!
Essa lacuna, porém, não é problema. Diante da ausência da forma, é só substituir o verbo adequar por um sinônimo (“Eu me adapto/ajusto ao cargo.”) ou até mesmo mantê-lo, mas com outra estrutura de frase (“Eu posso me adequar ao cargo.”).
Como podemos concluir, é só uma questão de se adequar a essa realidade...
(Coluna “No quintal das palavras”. Artigo publicado no Lagos Jornal, Ano V, nº 490, Região dos Lagos, 19-9-2009, p.4)
O verbo adequar está incluído nessa lista. Você já parou para analisar como ele se conjuga no presente do indicativo? Já ouviu algo semelhante a “Eu me ‘adéquo’ ao cargo.”, “Ele se ‘adéqua’ ao cargo.” ou “Eles se ‘adéquam’ ao cargo.”? Por incrível que pareça para muitos, esse verbo não pode ser conjugado nessas pessoas gramaticais.
Como um típico verbo defectivo, em determinados tempos, não teremos sua conjugação completa. Como isso acontece na prática? Ora, no presente do indicativo, só existem as formas verbais da 1ª pessoa do plural (= nós) e da 2ª do plural (= vós), respectivamente: adequamos e adequais.
Aí você pode perguntar: “Como vou saber se uma forma do verbo adequar existe ou não?” Ora, é muito simples. Ela só existirá quando a tonicidade (sílaba tônica) recair depois do radical, ou melhor, após a estrutura adequ-. Se observarmos com mais atenção, em adequamos, a sílaba tônica se encontra exatamente na vogal “a” que aparece logo depois de adequ-. Isso garante a existência dessa forma do verbo e de todas as outras que apresentarem essa característica, como, por exemplo, adequei, adequou, adequava, adequarei e adequará.
Nas formas “adéquo”, “adéqua” e “adéquam”, a tonicidade recai na sílaba “de”, ou seja, ainda no radical do verbo. Esse é o motivo de elas não existirem na conjugação do presente do indicativo. Consequência: não podemos usar algo que não existe!
Essa lacuna, porém, não é problema. Diante da ausência da forma, é só substituir o verbo adequar por um sinônimo (“Eu me adapto/ajusto ao cargo.”) ou até mesmo mantê-lo, mas com outra estrutura de frase (“Eu posso me adequar ao cargo.”).
Como podemos concluir, é só uma questão de se adequar a essa realidade...
(Coluna “No quintal das palavras”. Artigo publicado no Lagos Jornal, Ano V, nº 490, Região dos Lagos, 19-9-2009, p.4)
domingo, 20 de junho de 2010
DEFEITOS DE CONJUGAÇÃO
Você já ouviu falar em verbo defectivo? Pois é, isso existe! Assim como as pessoas e os objetos, o verbo também pode apresentar defeito. Linguisticamente, essa afirmação significa que alguns verbos do Português não são conjugados em todas as pessoas (1ª, 2ª e 3ª do singular ou plural), tempos (presente, passado e futuro) ou modos (indicativo, subjuntivo e imperativo). De maneira geral, essa defectibilidade ocorre por questões de eufonia (produção de som agradável ao ouvido) ou de sua própria significação.
Como exemplo relacionado à eufonia, podemos citar o verbo computar. Para garantir que não haja efeitos desagradáveis aos nossos ouvidos, ele não é usado nas três primeiras pessoas do presente do indicativo. Ou seja, não existem as formas “eu computo”, “tu computas” ou “ele computa”. Diante de uma necessidade de fazer referência a essa ação, temos duas opções: ou trocamos o verbo por um sinônimo ou mudamos a estrutura da frase. Assim, diríamos: “Em todas as eleições, eu faço o cômputo dos votos” ou “... conto/calculo os votos” ou “... tenho a responsabilidade de computar os votos”.
No que diz respeito à significação, temos o exemplo dos verbos que designam vozes de animais. Latir é um deles. Essa forma verbal só pode ser conjugada na 3ª pessoa, do singular ou plural, uma vez que se trata de uma ação característica de um cão, isto é, somente o animal (= ele) produz esse som. Sendo assim, não há emprego do verbo para indicar o falante (= eu) ou o ouvinte (= tu) como agentes dessa ação. Portanto eu não “lato”, tu não “lates”, nós não “latimos” e vós não “latis” – já que essas formas não existem! –, mas ele late e eles latem.
É claro que podemos encontrar seu uso no mundo da ficção – em que um cão seja personagem de uma história e possa referir-se ao seu próprio ato de latir – ou, raramente, com o verbo no sentido figurado – quando foge ao seu significado original, como, por exemplo, em “Com muita raiva, eu lati aquelas duras palavras.”. Além disso, o efeito sonoro também interfere na conjugação do verbo. Ele não pode ser usado nas formas em que o “t” seria seguido de “o” (como em “eu lato”, ainda que estejamos no mundo ficcional) ou “a” (mesmo na 3ª pessoa). Por isso, não espere que o seu cachorro “lata” para avisar a chegada de alguém. Como essa forma não pode ser empregada, substitua-a ou mude a estrutura da frase: “Eu espero que meu cachorro ladre (ou dê latidos) para avisar a presença de estranhos no portão.”.
Como podemos observar, defeito é o que não falta nos verbos. Temos alguns casos que, de modo geral, não são conhecidos e tornam o emprego de algumas formas inadequado. Conhecer os verbos defectivos deve ser uma virtude dos bons usuários da língua portuguesa! Então, no próximo artigo, continuaremos com eles.
(Coluna “No quintal das palavras”. Artigo publicado no Lagos Jornal, Ano V, nº 489, Região dos Lagos, sábado, 12-9-2009, p.4)
Como exemplo relacionado à eufonia, podemos citar o verbo computar. Para garantir que não haja efeitos desagradáveis aos nossos ouvidos, ele não é usado nas três primeiras pessoas do presente do indicativo. Ou seja, não existem as formas “eu computo”, “tu computas” ou “ele computa”. Diante de uma necessidade de fazer referência a essa ação, temos duas opções: ou trocamos o verbo por um sinônimo ou mudamos a estrutura da frase. Assim, diríamos: “Em todas as eleições, eu faço o cômputo dos votos” ou “... conto/calculo os votos” ou “... tenho a responsabilidade de computar os votos”.
No que diz respeito à significação, temos o exemplo dos verbos que designam vozes de animais. Latir é um deles. Essa forma verbal só pode ser conjugada na 3ª pessoa, do singular ou plural, uma vez que se trata de uma ação característica de um cão, isto é, somente o animal (= ele) produz esse som. Sendo assim, não há emprego do verbo para indicar o falante (= eu) ou o ouvinte (= tu) como agentes dessa ação. Portanto eu não “lato”, tu não “lates”, nós não “latimos” e vós não “latis” – já que essas formas não existem! –, mas ele late e eles latem.
É claro que podemos encontrar seu uso no mundo da ficção – em que um cão seja personagem de uma história e possa referir-se ao seu próprio ato de latir – ou, raramente, com o verbo no sentido figurado – quando foge ao seu significado original, como, por exemplo, em “Com muita raiva, eu lati aquelas duras palavras.”. Além disso, o efeito sonoro também interfere na conjugação do verbo. Ele não pode ser usado nas formas em que o “t” seria seguido de “o” (como em “eu lato”, ainda que estejamos no mundo ficcional) ou “a” (mesmo na 3ª pessoa). Por isso, não espere que o seu cachorro “lata” para avisar a chegada de alguém. Como essa forma não pode ser empregada, substitua-a ou mude a estrutura da frase: “Eu espero que meu cachorro ladre (ou dê latidos) para avisar a presença de estranhos no portão.”.
Como podemos observar, defeito é o que não falta nos verbos. Temos alguns casos que, de modo geral, não são conhecidos e tornam o emprego de algumas formas inadequado. Conhecer os verbos defectivos deve ser uma virtude dos bons usuários da língua portuguesa! Então, no próximo artigo, continuaremos com eles.
(Coluna “No quintal das palavras”. Artigo publicado no Lagos Jornal, Ano V, nº 489, Região dos Lagos, sábado, 12-9-2009, p.4)
terça-feira, 25 de maio de 2010
HÁ DÚVIDAS?
Determinados verbos em língua portuguesa apresentam particularidades que exigem uma atenção maior de nossa parte. O verbo haver é um deles. Entre as muitas de suas significações, podemos encontrá-lo como sinônimo de “existir” ou “ocorrer”. Por isso, quando ouvimos alguém dizer “Há um desvio na pista para que a obra possa ser finalizada.” ou “Houve um engarrafamento na pista de acesso à Região dos Lagos”, o haver pode ser substituído, perfeitamente, por aquelas formas verbais: “Existe um desvio...” ou “Ocorreu um engarrafamento...”.
A particularidade a que me refiro se encontra especificamente nesse significado. No sentido de “existir” ou “ocorrer”, ele deve ficar sempre na 3ª pessoa do singular (na forma referente ao “ele”). Isso acontece por ser um verbo impessoal, ou seja, não tem sujeito, não se refere a nenhum ser (pessoa, animal, objeto ou acontecimento). Logo não precisa concordar com nenhum termo existente na frase.
Uma forma de percebermos isso mais claramente é compará-lo com seus próprios sinônimos “existir” e “ocorrer”, que são verbos pessoais, isto é, devem concordar com seu sujeito. Assim, se o termo a que se refere a ação estiver no singular, esses verbos ficam no singular: “Existe uma pessoa lá fora, querendo falar com você.”; “Ocorreu um acidente grave naquela estrada.”. Caso esse termo esteja no plural, os verbos vão para o plural também: “Existem várias pessoas lá fora, querendo falar com você.”; “Ocorreram muitos acidentes graves naquela estrada.”. Com o verbo haver, isso não se dá. Independentemente do termo que apareça na frase, ele fica somente na forma do singular: “Há uma pessoa lá fora,...”; “Há várias pessoas lá fora,...”; “Houve um acidente grave...”; “Houve muitos acidentes graves...”.
Esse uso – sempre no singular – vale para todos os tempos verbais (presente, passado e futuro). Sendo assim, não é correto empregá-lo na forma do plural no passado ou no futuro, como se vê por aí: “Haviam muitas pessoas no show.” ou “Houveram várias manifestações de desagrado durante a reunião.” ou “Haverão vários feriados neste segundo semestre.”. Como diz aquele famoso árbitro e comentarista esportivo, a regra é clara, e a repetimos: o verbo haver com sentido de “existir” ou “ocorrer” fica sempre no singular. Portanto a estrutura adequada é: “Havia muitas pessoas...”, “Houve várias manifestações...” e “Haverá vários feriados...”.
Espero que não haja mais dúvidas a esse respeito.
(Coluna “No quintal das palavras”. Artigo publicado no Lagos Jornal, Ano V, Região dos Lagos, sábado, 05-9-2009, p.4)
A particularidade a que me refiro se encontra especificamente nesse significado. No sentido de “existir” ou “ocorrer”, ele deve ficar sempre na 3ª pessoa do singular (na forma referente ao “ele”). Isso acontece por ser um verbo impessoal, ou seja, não tem sujeito, não se refere a nenhum ser (pessoa, animal, objeto ou acontecimento). Logo não precisa concordar com nenhum termo existente na frase.
Uma forma de percebermos isso mais claramente é compará-lo com seus próprios sinônimos “existir” e “ocorrer”, que são verbos pessoais, isto é, devem concordar com seu sujeito. Assim, se o termo a que se refere a ação estiver no singular, esses verbos ficam no singular: “Existe uma pessoa lá fora, querendo falar com você.”; “Ocorreu um acidente grave naquela estrada.”. Caso esse termo esteja no plural, os verbos vão para o plural também: “Existem várias pessoas lá fora, querendo falar com você.”; “Ocorreram muitos acidentes graves naquela estrada.”. Com o verbo haver, isso não se dá. Independentemente do termo que apareça na frase, ele fica somente na forma do singular: “Há uma pessoa lá fora,...”; “Há várias pessoas lá fora,...”; “Houve um acidente grave...”; “Houve muitos acidentes graves...”.
Esse uso – sempre no singular – vale para todos os tempos verbais (presente, passado e futuro). Sendo assim, não é correto empregá-lo na forma do plural no passado ou no futuro, como se vê por aí: “Haviam muitas pessoas no show.” ou “Houveram várias manifestações de desagrado durante a reunião.” ou “Haverão vários feriados neste segundo semestre.”. Como diz aquele famoso árbitro e comentarista esportivo, a regra é clara, e a repetimos: o verbo haver com sentido de “existir” ou “ocorrer” fica sempre no singular. Portanto a estrutura adequada é: “Havia muitas pessoas...”, “Houve várias manifestações...” e “Haverá vários feriados...”.
Espero que não haja mais dúvidas a esse respeito.
(Coluna “No quintal das palavras”. Artigo publicado no Lagos Jornal, Ano V, Região dos Lagos, sábado, 05-9-2009, p.4)
terça-feira, 4 de maio de 2010
VER, NO FUTURO.
O verbo ver apresenta uma irregularidade em sua conjugação, ou seja, ele não tem a mesma base (também chamada de “radical”) em todos os tempos (presente, passado e futuro). Comparando-o com “cantar”, é possível entender isso claramente: canto/cantas/canta (no presente), cantei/cantastes/cantou (no passado), cantarei/cantarás/cantará (no futuro). Para ver, temos: vejo/vês/vê (no presente), vi/vistes/viu (no passado), verei/verás/verá (no futuro). Podemos observar que, para o primeiro, a base é sempre a mesma – cant- – ao passo que, para o segundo, ela varia, de acordo com o tempo.
Mesmo com essa mudança, o falante consegue empregá-lo corretamente no dia a dia. Acontece, porém, que, geralmente, há uma confusão no futuro do subjuntivo. Futuro é fácil: tem relação com algo que vai acontecer. E o subjuntivo? Ele é um modo verbal utilizado para dar a ideia de dúvida, hipótese, possibilidade sobre uma ação; diferentemente do indicativo, que transmite a noção de certeza sobre o acontecimento. Quando digo “Eu sei isso.”, o verbo está no presente do indicativo, e há certeza sobre o fato de saber algo. Já em “Ele espera que eu saiba isso.”, a forma verbal se encontra no presente do subjuntivo, e existe uma dúvida quanto a esse saber. No futuro, temos: “Eu saberei o resultado do exame amanhã.”, e a ação é tida como certa. Em “Quando eu souber isso, lhe ensinarei.”, a ação expressa uma hipótese, algo possível de ocorrer.
O verbo ver, no futuro do subjuntivo, é conjugado da seguinte forma: vir, vires, vir, virmos, virdes e virem. Ao expressarmos a possibilidade ou a condição de ver alguém ou alguma coisa, devemos empregar uma dessas formas, de acordo com a situação. Por isso, a maneira correta de se falar ou escrever é: “Quando você vir o filme, vai entender o que estou falando.” ou “Se eu vir o repórter, darei seu recado.”
A princípio, parece estranho aos ouvidos, pois é comum se dizer “Quando você ver...” ou “Se eu ver...”. Essa construção, entretanto, não é adequada, uma vez que foge à conjugação original do verbo. Alguns acreditam que a forma “vir”, usada para a 1ª (eu) e a 3ª (ele) pessoa do singular, estaria associada, não ao verbo ver, mas ao vir (= “deslocar-se de algum lugar”). Ao se empregar o verbo vir no futuro do subjuntivo, teríamos: “Quando você vier aqui em casa, farei um almoço especial.” ou “Se eu vier amanhã a sua casa, trarei a encomenda.”
Em suma: o verbo ver tem conjugação específica no futuro do subjuntivo, que não pode ser confundida com a forma do verbo vir no infinitivo. Portanto, meu prezado leitor, quando você vir alguém com dúvidas sobre isso, repasse essa explicação. Agora, minha cara editora, se vier alguma pergunta para a redação do jornal acerca do tema, encaminhe-me, por favor.
(Coluna “No quintal das palavras”. Artigo publicado no Lagos Jornal, Ano V, nº 487, Cabo Frio, sábado, 29-8-2009, p.4)
Mesmo com essa mudança, o falante consegue empregá-lo corretamente no dia a dia. Acontece, porém, que, geralmente, há uma confusão no futuro do subjuntivo. Futuro é fácil: tem relação com algo que vai acontecer. E o subjuntivo? Ele é um modo verbal utilizado para dar a ideia de dúvida, hipótese, possibilidade sobre uma ação; diferentemente do indicativo, que transmite a noção de certeza sobre o acontecimento. Quando digo “Eu sei isso.”, o verbo está no presente do indicativo, e há certeza sobre o fato de saber algo. Já em “Ele espera que eu saiba isso.”, a forma verbal se encontra no presente do subjuntivo, e existe uma dúvida quanto a esse saber. No futuro, temos: “Eu saberei o resultado do exame amanhã.”, e a ação é tida como certa. Em “Quando eu souber isso, lhe ensinarei.”, a ação expressa uma hipótese, algo possível de ocorrer.
O verbo ver, no futuro do subjuntivo, é conjugado da seguinte forma: vir, vires, vir, virmos, virdes e virem. Ao expressarmos a possibilidade ou a condição de ver alguém ou alguma coisa, devemos empregar uma dessas formas, de acordo com a situação. Por isso, a maneira correta de se falar ou escrever é: “Quando você vir o filme, vai entender o que estou falando.” ou “Se eu vir o repórter, darei seu recado.”
A princípio, parece estranho aos ouvidos, pois é comum se dizer “Quando você ver...” ou “Se eu ver...”. Essa construção, entretanto, não é adequada, uma vez que foge à conjugação original do verbo. Alguns acreditam que a forma “vir”, usada para a 1ª (eu) e a 3ª (ele) pessoa do singular, estaria associada, não ao verbo ver, mas ao vir (= “deslocar-se de algum lugar”). Ao se empregar o verbo vir no futuro do subjuntivo, teríamos: “Quando você vier aqui em casa, farei um almoço especial.” ou “Se eu vier amanhã a sua casa, trarei a encomenda.”
Em suma: o verbo ver tem conjugação específica no futuro do subjuntivo, que não pode ser confundida com a forma do verbo vir no infinitivo. Portanto, meu prezado leitor, quando você vir alguém com dúvidas sobre isso, repasse essa explicação. Agora, minha cara editora, se vier alguma pergunta para a redação do jornal acerca do tema, encaminhe-me, por favor.
(Coluna “No quintal das palavras”. Artigo publicado no Lagos Jornal, Ano V, nº 487, Cabo Frio, sábado, 29-8-2009, p.4)
quinta-feira, 29 de abril de 2010
ASSOAR, SOAR E SUAR
Muitas vezes, a relação entre a forma de uma palavra e seu significado é desconhecida dos falantes. Isso provoca algumas situações de trocas que trazem confusão. Um trio traiçoeiro são os verbos assoar, soar e suar.
A semelhança sonora entre essas palavras é tanta, que pode levar um usuário menos atento a acreditar que haja uma só forma. Podemos chegar a essa conclusão com base numa análise bem simples. O “o” fechado em sílaba átona (fraca, sem tonicidade), de maneira geral, é pronunciado como “u”. É justamente esse o caso de boate (=“buate”), pessoal (=“pessual”) e pano (=”panu”), por exemplo. Partindo desse raciocínio, as formas soar e suar ficam, na fala, reduzidas a somente uma: “suar”. O mesmo fenômeno ocorre em assoar, que, no discurso oral, acaba por ser falado “assuar”. Como o “a” inicial da palavra é articulado de um modo bem frágil, ele acaba, em determinadas ocasiões, sendo eliminado na fala espontânea, restando, então, apenas “suar”. Consequência desses processos: o uso inadequado na hora de conjugá-los.
Segundo definição encontrada em dicionário da língua portuguesa, assoar se refere ao ato de “limpar o nariz de mucosidade”, ou seja, “limpar-se do muco nasal, fazendo sair o ar com força pelas narinas”. Numa situação como essa, devemos, por exemplo, dizer: “Preciso ir ao banheiro para assoar o nariz.” E, assim como o verbo abençoar em “Eu o abençoo.” e “Ele o abençoa.”, o correto é “Quando estou resfriado, eu assoo o nariz toda hora.” e “Quando ele está resfriado, assoa o nariz toda hora.”
O verbo soar já significa “emitir ou produzir som, retumbar, ecoar”. Deve ser empregado da mesma forma que assoar. Podemos exemplificar seu uso com as frases: “Se o alarme soar, avise-me imediatamente.”, “Quando soo esse ruído, todos se assustam.” e “O sino da igreja sempre soa a essa hora.” Logo devemos observar que, ao conjugarmos os verbos assoar e soar dessa forma, a pronúncia do “o” fechado deve ser preservada, caso contrário será confundido com o verbo suar.
A forma verbal suar, por sua vez, relaciona-se, especificamente, à ação de “transpirar, verter suor pelos poros”. Quando conjugado, o “u” deve ser pronunciado normalmente, do mesmo modo que fazemos com o verbo atuar, por exemplo. Assim como dizemos “Eu atuo bem” e “Ele atua bem.”, temos, para o verbo suar: “Eu suo muito.” e “Ele sua muito.”
É necessário, portanto, um pouquinho mais de atenção no emprego desses verbos, a fim de, além de não mudar seus significados, não trocar suas conjugações. Uma boa estratégia para não haver essas confusões é associá-los a outras formas verbais semelhantes.
(Coluna “No quintal das palavras”. Artigo publicado no Lagos Jornal, Ano V, nº 486, Cabo Frio, sábado, 22-8-2009, p.4)
A semelhança sonora entre essas palavras é tanta, que pode levar um usuário menos atento a acreditar que haja uma só forma. Podemos chegar a essa conclusão com base numa análise bem simples. O “o” fechado em sílaba átona (fraca, sem tonicidade), de maneira geral, é pronunciado como “u”. É justamente esse o caso de boate (=“buate”), pessoal (=“pessual”) e pano (=”panu”), por exemplo. Partindo desse raciocínio, as formas soar e suar ficam, na fala, reduzidas a somente uma: “suar”. O mesmo fenômeno ocorre em assoar, que, no discurso oral, acaba por ser falado “assuar”. Como o “a” inicial da palavra é articulado de um modo bem frágil, ele acaba, em determinadas ocasiões, sendo eliminado na fala espontânea, restando, então, apenas “suar”. Consequência desses processos: o uso inadequado na hora de conjugá-los.
Segundo definição encontrada em dicionário da língua portuguesa, assoar se refere ao ato de “limpar o nariz de mucosidade”, ou seja, “limpar-se do muco nasal, fazendo sair o ar com força pelas narinas”. Numa situação como essa, devemos, por exemplo, dizer: “Preciso ir ao banheiro para assoar o nariz.” E, assim como o verbo abençoar em “Eu o abençoo.” e “Ele o abençoa.”, o correto é “Quando estou resfriado, eu assoo o nariz toda hora.” e “Quando ele está resfriado, assoa o nariz toda hora.”
O verbo soar já significa “emitir ou produzir som, retumbar, ecoar”. Deve ser empregado da mesma forma que assoar. Podemos exemplificar seu uso com as frases: “Se o alarme soar, avise-me imediatamente.”, “Quando soo esse ruído, todos se assustam.” e “O sino da igreja sempre soa a essa hora.” Logo devemos observar que, ao conjugarmos os verbos assoar e soar dessa forma, a pronúncia do “o” fechado deve ser preservada, caso contrário será confundido com o verbo suar.
A forma verbal suar, por sua vez, relaciona-se, especificamente, à ação de “transpirar, verter suor pelos poros”. Quando conjugado, o “u” deve ser pronunciado normalmente, do mesmo modo que fazemos com o verbo atuar, por exemplo. Assim como dizemos “Eu atuo bem” e “Ele atua bem.”, temos, para o verbo suar: “Eu suo muito.” e “Ele sua muito.”
É necessário, portanto, um pouquinho mais de atenção no emprego desses verbos, a fim de, além de não mudar seus significados, não trocar suas conjugações. Uma boa estratégia para não haver essas confusões é associá-los a outras formas verbais semelhantes.
(Coluna “No quintal das palavras”. Artigo publicado no Lagos Jornal, Ano V, nº 486, Cabo Frio, sábado, 22-8-2009, p.4)
quinta-feira, 15 de abril de 2010
RATIFICAR E RETIFICAR
Na língua portuguesa, existem palavras que apresentam semelhança na grafia e na pronúncia, o que, muitas vezes, gera confusão na hora de empregá-las. De modo geral, isso se deve pela existência de uma letra diferente apenas. Essa minúscula distinção, no entanto, é responsável por uma mudança expressiva de significado.
Um caso bem interessante diz respeito às palavras ratificar e retificar. A simples troca do “a” pelo “e” faz com que seus significados sejam completamente diferentes. Usar essas formas verbais indistintamente pode trazer problemas de entendimento.
Por exemplo, vamos imaginar que um indivíduo tenha recebido uma solicitação do responsável pelo departamento pessoal de sua empresa para verificar se o endereço que consta na sua ficha cadastral está correto ou não. Qual das seguintes frases poderia ser dita pelo funcionário? “Preciso ratificar meu endereço.” ou “Preciso retificar meu endereço.”? Resposta: depende do seu objetivo, uma vez que as sentenças têm informações distintas. Caso o endereço esteja correto, a primeira sentença é a adequada à situação comunicativa. Se, porém, o endereço estiver desatualizado, o empregado deve optar pela segunda. Isso acontece, porque o verbo ratificar significa “confirmar”, “validar o que foi feito ou prometido”, “comprovar”. Sendo assim, o endereço deveria ser “ratificado” (confirmado), sofrer “ratificação” (confirmação). Já a forma verbal retificar tem como significado “corrigir”, “emendar”. Logo o endereço teria que ser “retificado” (corrigido), sofrer “retificação” (correção).
A origem de tais palavras explica essa diferença. Embora os elementos iniciais de composição tenham a mesma origem, o latim, seus significados são distintos. Ratificar surgiu da união de “rat(i)-”, em que um dos significados é “confirmado”. Retificar, por sua vez, tem na sua composição “reti-”, cujo significado é “reto”, “direito”.
(Coluna “No quintal das palavras”. Artigo publicado no Lagos Jornal, Ano V, nº 485, Cabo Frio, sábado-domingo, 15-8-2009, p.4)
Um caso bem interessante diz respeito às palavras ratificar e retificar. A simples troca do “a” pelo “e” faz com que seus significados sejam completamente diferentes. Usar essas formas verbais indistintamente pode trazer problemas de entendimento.
Por exemplo, vamos imaginar que um indivíduo tenha recebido uma solicitação do responsável pelo departamento pessoal de sua empresa para verificar se o endereço que consta na sua ficha cadastral está correto ou não. Qual das seguintes frases poderia ser dita pelo funcionário? “Preciso ratificar meu endereço.” ou “Preciso retificar meu endereço.”? Resposta: depende do seu objetivo, uma vez que as sentenças têm informações distintas. Caso o endereço esteja correto, a primeira sentença é a adequada à situação comunicativa. Se, porém, o endereço estiver desatualizado, o empregado deve optar pela segunda. Isso acontece, porque o verbo ratificar significa “confirmar”, “validar o que foi feito ou prometido”, “comprovar”. Sendo assim, o endereço deveria ser “ratificado” (confirmado), sofrer “ratificação” (confirmação). Já a forma verbal retificar tem como significado “corrigir”, “emendar”. Logo o endereço teria que ser “retificado” (corrigido), sofrer “retificação” (correção).
A origem de tais palavras explica essa diferença. Embora os elementos iniciais de composição tenham a mesma origem, o latim, seus significados são distintos. Ratificar surgiu da união de “rat(i)-”, em que um dos significados é “confirmado”. Retificar, por sua vez, tem na sua composição “reti-”, cujo significado é “reto”, “direito”.
(Coluna “No quintal das palavras”. Artigo publicado no Lagos Jornal, Ano V, nº 485, Cabo Frio, sábado-domingo, 15-8-2009, p.4)
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